VISITANTES

O Imperfeito em busca do Perfeito

Meu Mundo é imperfeito porque é o encontro de todas as contradições, de todos os complexos e de todos os caminhos, enquanto eu caminho para o Mundo Perfeito onde não haverá desencontros nem contradições nem complexos e um só Caminho a percorrer.

CLARICE LISPECTOR

Postado por TATO

VEJA VIDEOS SOBRE CLARICE LISPECTOR NO BLOG http://pequenoanderson.zip.net/

CLARICE, ONTEM, HOJE E SEMPRE

Postado por TATO




"A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo. Quem sou? bem, isto já é demais". (Clarice Lispector)

Fico impressionado com as frases de Clarice. Elas falam por mim. Na loucura ou na sanidade dela a autora que mais amo falou tudo o que podia e tudo o queria. Para mim, ela conseguiu exprimir em palavras o que existe no mais profundo do ser. Ela sabia disso tanto que escreveu:

"A palavra é meu domínio sobre o mundo".

Ela era uma mulher do mundo, no mundo e para o mundo. Era simplesmente ela. Parecia não ter máscaras nem para os outros nem para si mesma. Veja que frase crua e dolorosa ela escreveu:

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".

Não sei se Clarice sabia ou apenas me parece - posso estar enganado - que todas as almas são paralelas, tem uma mesma essência, porque o que ela escrevia sobre ela eu posso usar para mim sem medo algum de errar. Ela parecia escrever sobre ela (mas também sobre mim):

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar."

Claro, estas frases ela colocava na boca dos personagens de seus livros, mas não eram esses personagens espelhos dela mesma? porque, no que diz respeito aos livros de Clarice, todos eles parecem ser autobiográficos.

"E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar".

"Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...ou toca ou não toca."

Fiquei ainda mais fascinado com Clarice quando assisti a uma de suas poucas (talvez única, não sei bem ao certo) entrevistas. Pareceu-me uma senhora tão comum, tão dona de casa, porém tão esquisita, tão longe da realidade que mexeu extremamente comigo naquele instante e fiquei pensando nela durante dias. Clarice pareceu a amiga que não tive, entende? ela era tão humana, mas numa personalidade tão dela que me estremeceu.
Naquela entrevista, parecia que ela estava ali porque alguém a obrigou, e parecia triste, perdida, até mesmo um pouco louca, no entanto quando respondia, parecia tão dona de si, com uma inteligência tão aguçada que se permitia até mesmo não responder a todas as perguntas que o repórter fazia. Ela parecia livre ao mesmo tempo que prisioneira de algo que eu não consegui entender - e isto me oprimiu no momento e dias depois, e até hoje me deixa mal. Ela não parecia a estrela Clarice, mas a mulher totalmente ferida e perdida do seu livro A Paixão Segundo G.H.
Ela é o paradoxo em pessoa, ao mesmo tempo louca e lúcida. Porém ela é inconfundível. Era a amiga que eu gostaria de ter.

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome".

Sabe aquela pessoa que você gostaria de ter conhecido pessoalmente? aquela pessoa que te parece que faria muito bem parte da sua vida, que se encaixaria perfeitamente na sua história? então, Clarice é uma dessas pessoas.

"Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar".

Aquela entrevista memorável me fez ver algo na vida do ser humano que ainda não tinha observado: a pessoa quando ela é ela mesma, fere, por isso nós mentimos ou fingimos.

"Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada" - disse Clarice na entrevista.

"Com todo o perdão da palavra: eu sou um mistério para mim".

Ela pareceu-me realmente muito verdadeira. Não quis esconder nada, nem sua dor. O que não quis falar, não falou. O que quis falar, falou. A entrevista não parecia fluir, mas ela disse e fez apenas e exatamente aquilo que ela queria.

"Gosto do veneno os mais lentos!
As bebidas, as mais fortes!
Os cafés mais amargos!
e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: e daí? eu adoro voar..."
Eu pessoalmente adoro a liberdade e as pessoas livres. Elas são as que mais se parecem com Deus. São as que mais amam e mais vivem a vida, mesmo estando num presídio de segurança máxima. Clarice, ao que me parece, era uma dessas pessoas. Ela sabia disso, e escrevia isso, e vivia isso. Ela era livre apesar de estar presa.

"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo entendimento. Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Eu sou uma pergunta."

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever."

"E nem entendo tudo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço."
Clarice era deste mundo, muito pé no chão, mas tinha a cabeça nas nuvens. E por eu ser um pouco assim, sinto-me muito perto dela e parecido com ela. Ela sentia muito mais do que via ou ouvia ou tocava. Seus livros eram duelos de palavras e frases cheias de sentimento...havia dor nas palavras; tenho a sensação de que se chacoalhar um livro seu seria possível perceber uma lágrima escorrendo dele. Para muitos, seus livros são palavras jogadas, mas na verdade, seus livros são sentimentos; ela escrevia apenas o que sentia, fizesse sentido ou não. A sua última (?) entrevista demonstra claramente isto. Até suas palavras faladas eram sentimentos. Ela não parecia ter medo de falar e demonstrar o seu interior. Isto é liberdade.

"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária."

"Sou um coração batendo no mundo".
"Só o que está morto não muda."

"Escuta: eu te deixo ser, deixe-me ser então."

A escritora tinha uma sensibilidade inerente a ela. Ela era humana demais, quase dolorida; expunha sua ferida ao mundo e não tinha medo dela. Clarice, após queimar-se com fogo, não escondia sua mão queimada. Ela não tinha medo da feiura da mão queimada no incêndio que ela mesma provocou. Isso me fascina grandemente e eu não sei a razão disso. Autenticidade talvez seja a resposta. Clarice, mulher e escritora, humana ao extremo, era autêntica.

"O que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto de um modo carinhoso do inacabado, do malfeito, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão."
"E o que o ser humano mais aspira é tornar-se humano".

Esta última frase me faz lembrar de uma do Papa João Paulo II que diz:

"Jesus veio ao mundo como homem ensinar ao ser humano como ser humano."

A escritora tinha uma visão profunda da vida. Ela não sabia olhar superficialmente o trânsito dos acontecimentos. Ela via tudo e enxergava com o coração as pessoas e o que elas faziam.

"O que é verdadeiramente imoral é desistir de si mesmo."

"Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca."

A vida da gente é tão transitória e tão urgente que sinto medo. Moro ao lado do cemitério e todos os dias vejo enterros. Se não os vejo, deparo-me com os túmulos novos, recém cavados. Isso me lembra da fragilidade da vida e da urgência da vida. A vida existe, mas passa. E tenho pena disso...
Clarice já se foi. Tenho raiva quando me lembro que essas pessoas já se foram: Clarice, João Paulo II, Madre Tereza de Calcutá, Lady Di, Padre Pio e tantos outros. Pessoas que têm o poder de me inspirar. Eles fazem falta ao mundo. Eu nunca os conheci pessoalmente mas sinto falta deles. Sinto saudades.
Clarice sabia da urgência da vida e sabia que a morte existia, como todos nós sabemos. E ela escreveu, como num desabafo:

"É uma infâmia nascer para morrer não se sabe onde nem quando."

"Não tenho tempo para mais nada, ser feliz me consome muito tempo."
Clarice se foi como todos nós partiremos um dia, ou hoje. Eu nem havia nascido ainda e na verdade nem meus pais já eram casados. E Clarice já não estava mais neste mundo. Em suma, não tive tempo de vê-la. Isto sinceramente me dói.
Morreu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de completar 57 anos de idade. Sua morte foi seu presente de aniversário.
Clarice partiu como chegou...sorrateiramente. Houve silêncio e mudez na chegada e na saída. Nascia uma estrela e morria uma mulher do mundo - é um estrela cadente ao contrário, que sai da terra e vai para o céu.
Eu queria ter conhecido essa mulher, essa esposa, essa mãe, mais do que a escritora Clarice. É uma pessoa pela qual vale a pena perder alguns minutos, horas, dias, meses e anos.

Por fim, quero deixar uma parte de uma de suas entrevistas e uma frase dela aqui. Clarice vale a pena, viva ou morta.

"José Castello (repórter de O Globo) lhe pergunta:
- Por que você escreve?
Clarice:
- Vou lhe responder com outra pergunta: por que você bebe água?
José Castello:
- Por que bebo água? porque tenho sede.
Clarice:
- Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: Escrevo para me manter viva."

"Corro perigo como toda pessoa que vive, e a única coisa que me espera é exatamente o inesperado".
Clarice Lispector
10/12/1920 a 09/12/1977




OU TUDO OU NADA

Postado por TATO

Como é difícil viver no meio de um mundo mau, que oferece tão pouco à alma humana!
A natureza deste planeta é linda, impecável, mas o "mundo", a sociedade atual é massacrante e extenuante. Como conseguem sugar nossas vidas de tal forma!

As pessoas vivem num circulo de ódio, inveja, egoísmo, individualismo puro, egocentrísmo nato! e isso quase que invade a vida da gente e nos faz ficar "azedos", indiferentes, exaustos desse sistema mau. Parece tudo tão natural, mas no fundo não o é!
Não existe mais misericórdia no meio das pessoas e as mesmas só fazem as coisas por um interesse nojento. As amizades se tornaram um interesse...o relacionamento se tornou um interesse vil e promíscuo. Eu fico imaginando onde isso tudo vai parar. Não estou sendo juiz de ninguém, porque não estou neste mundo para isso, apenas estou dizendo o que sinto e o que percebo ao meu redor.
As pessoas se esqueceram da vida...se esqueceram do amor ágape, da compaixão, da verdade, da amizade desinteressada! e procuram tudo menos a essência da coisas.
Querem comprar e serem compradas
Querem vender amor e serem vendidas
Valem muito pouco aos próprios olhos
Vendem suas almas a troco de nada
Dão um valor vil à alma humana
Um cão custa mais que uma alma
Um carro é mais perfeito que o vizinho
Eu, pessoalmente, não acredito mais no amor que o mundo oferece (amor este que não pode nem ser chamado de amor); é paixão, é uma carência afetiva de toque e de companhia, mas não é amor. Não chamemos mais de amor aquilo é paixão. Paixão é mundano, baixo, é pequeno e pouco - e para mim é totalmente insuficiente. Eu custo muito mais que isso, sou muito mais que uma simples paixão.
Não acredito mais num amor repentino, porque o verdadeiro amor vem do conhecimento. Quanto mais conheço, mais amo, quanto menos conheço menos amo. Querer a outra pessoa para si não é amor, satisfazer-se com a outra pessoa não é amar, ser feliz com a outra pessoa não é amor. Amor vem de conhecer a outra pessoa e doar de si para a outra pessoa sem esperar nada em troca. Então, para mim, hoje, é difícil, depois de tudo o que vivi, acreditar no amor secular.
Hoje acredito que há muito mais paixão que amor. Acredito apenas num amor ágape, peculiarmente verdadeiro quando vem da alma e não do corpo. O que vem do corpo é paixão e não um amor apaixonado. Tornaram vulgar uma palavra tão linda e a transformaram no sinônimo de paixão, de ato sexual, e o amor ágape quase nada tem a ver com ato sexual em si. Se o relacionamento se baseia nisso, primeiro ele não é relacionamento, é troca de prazeres, segundo é um ato profundamente egoísta. O amor único e verdadeiro é o ágape, um amor trabalhado no conhecimento do outro, trabalhado na vivência do dia-a-dia, com a paciência de aceitar o outro como ele exatamente é e não querer mudá-lo para ser como eu quero que ele seja e fazer o que quero que faça.
O sistema do mundo é um sistema de formar (por na fôrma) o outro para não poder sair mais da forma na qual foi colocado, tornando-o prisioneiro. O amor verdadeiro não aprisiona, antes liberta e faz o outro ser livre e uma pessoa melhor e mais importante. E mesmo assim, o amor ágape não é sentimento, é uma ação dinâmica e capaz de crescer sempre em direção ao outro e não a si mesmo, em benefício da outra pessoa.
Hoje sei que amo muito pouco. Se é que amo mesmo! porque o amor verdadeiro tende às grandezas e não simplesmente a satisfazer os desejos do corpo.
Mas eu estou de olho na infinitude do amor ágape. Entendi que somente ele pode me satisfazer como pessoa humana. E estou em busca dele...de tê-lo e vivê-lo.
Sou uma alma inteiramente insatisfeita com poucas coisas e com as coisas pequenas. Isso porque provei muito das grandezas e experimentei coisas muito altas e, sendo assim, não é qualquer coisa que me faz feliz, que me preenche e me deixa satisfeito. Sou fruto das grandezas e apenas nelas encontro repouso.
Este mundo é pouco para mim...este sistema é totalmente incapaz de me agradar. Sinto-me a caminho, entretanto. Sinto que vivi apenas meio porcento do que devia viver. E isso é insatisfatório. É extremamente pouco. Tenho muita sede interior, tenho muita fome. Não é qualquer coisa que me sacia. As ilusões deste mundo são incapazes de me fascinar, de me deixar vivo. As paixões seculares na verdade me empobrecem. Sou pequeno demais mas tenho uma alma quase infinita que não pode ser saciada com qualquer migalha que oferecem. Há muito ainda a ser vivido e experienciado.
Eu quero tudo ou nada. Tudo ou nada. E este mundo não é tudo...Não quero ser metade nem 99%. Eu quero ser 100%. Ou tudo ou nada.
Ah, por que sou assim? por que me sinto assim?
Não tenho culpa de me sentir assim...ou tenho?
Já escrevi certa vez e agora repito: EU SOU FILHO DO SOL, IRMÃO DA TEMPESTADE...MINHA ALMA É FEITA DE FOGO.
Nada mais a declarar.
TT

SOLIDÃO

Postado por TATO

Estou sozinho
Uma nuvem passeia solitária no céu azul
- Até as nuvens num céu azul podem sentir-se solitárias!
Ela, sozinha, passa vagarosamente guiada pelo vento que vem do sul
E eu estou sozinho como a nuvem branca que passa no céu azul
Por que você foi embora e me deixou olhando o céu azul com a nuvem branca?
Ela também olha para mim - eu a vejo olhar!
Por que você se foi e não olhou nem para trás?
Um soluço brota em meu peito e chega ate minha garganta...
Eu estou só! como pode ser?
Também estive só ontem
A solidão me espreita em todo canto
Por onde ando estou sem ninguém...
Um olhar perdido para o céu,
Com um sorriso no canto da boca
E uma palavra a ser dita
Eu sou a palavra não dita
Que se esperava, mas não veio à boca
Sinto-me só
A multidão me aperta
E estou só num céu azul de domingo
Por que se a vida burbulha lá fora?
Porque a vida burbulha lá fora...
...Eu estou só